SDC — Sérgio Douglas Canella, Advogado, OAB/SP 442.482
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Alerta de golpe

Golpe do falso advogado: como funciona, de onde vêm os dados e como se proteger

Criminosos usam dados reais de processos, fotos copiadas e inteligência artificial para se passar pelo seu advogado e pedir PIX. Entenda como o golpe funciona, os sinais de alerta e o que fazer para se proteger.

Resumo rápido: nenhum advogado sério, nenhum juiz e nenhum tribunal pede PIX, depósito ou "taxa" por WhatsApp para liberar dinheiro de processo. Recebeu esse tipo de pedido? Pare, não pague e confirme diretamente com o seu advogado, pelo número e pelos canais que você já usa com ele.

O golpe do falso advogado se tornou uma das fraudes mais comuns do Brasil. Ele atinge justamente quem confiou na Justiça para resolver um problema e está esperando, às vezes há anos, receber um valor. Neste guia completo, explicamos em linguagem simples como o golpe funciona, de onde os criminosos tiram as informações do seu processo, como usam fotos, perfis copiados e inteligência artificial, quais são os sinais de alerta e, principalmente, o que fazer para se proteger — e o que fazer se o golpe já aconteceu.

Leia com calma e, se puder, compartilhe com familiares, principalmente pessoas idosas, que são alvo frequente.

1. O que é o golpe do falso advogado

O golpe do falso advogado é uma fraude em que criminosos se passam pelo seu advogado — ou por alguém do escritório, do fórum, do cartório ou do tribunal — para convencer você a fazer um pagamento ou a entregar dados pessoais e bancários.

A história quase sempre segue o mesmo roteiro:

"Boa notícia! Você ganhou a ação e o dinheiro já está liberado. Mas, para o valor cair na sua conta, é preciso pagar antes uma taxa, um imposto, uma custa ou uma despesa de cartório."

O pagamento é pedido com urgência, geralmente via PIX, e sempre para uma conta que não é a do escritório.

O que torna esse golpe tão perigoso é que os criminosos sabem detalhes reais do seu processo: o número da ação, o seu nome completo, o nome da outra parte, o nome do seu advogado, a vara em que o processo tramita e até o que aconteceu recentemente nele. Por isso a mensagem parece verdadeira e muita gente acredita.

2. O tamanho do problema

Não se trata de casos isolados. O golpe cresce em todo o país, e as próprias instituições reconhecem a gravidade:

  • A OAB Paraná contabilizou 2.677 registros de tentativas ou ocorrências do golpe em 2026, com dados apenas até junho — número que já supera todos os registros de 2025.
  • A OAB do Rio de Janeiro identificou mais de duas mil denúncias até julho de 2026.
  • No Rio Grande do Sul, a OAB e a Polícia Civil lançaram campanha conjunta depois que o golpe passou a figurar entre as fraudes mais registradas no estado.
  • Em São Paulo, a OAB-SP criou em 2025 uma força-tarefa específica para enfrentar o golpe e, em agosto de 2026, lançou nova campanha de alerta junto com o Tribunal Regional Federal da 3ª Região. A entidade alerta que o esquema evoluiu e deixou de ser apenas um "golpe de WhatsApp".

Esses números retratam apenas os casos que chegaram a ser comunicados. Muitas vítimas, por vergonha ou desinformação, não registram ocorrência.

3. Quem são os alvos preferidos

Qualquer pessoa com processo na Justiça pode ser abordada, mas os criminosos preferem:

  • quem tem valores a receber: indenizações, cobranças, ações contra bancos, empresas aéreas, operadoras de telefonia e planos de saúde;
  • quem aguarda precatórios e RPVs (valores pagos pelo governo depois de condenações);
  • quem tem ações trabalhistas e previdenciárias (contra o INSS);
  • pessoas idosas e com pouca familiaridade com a internet;
  • quem está em momento de dificuldade financeira e conta com aquele dinheiro;
  • empresas e pessoas que são rés em processos, com ameaças de bloqueio de contas e penhora.

4. Como o golpe acontece, passo a passo

Conhecer o roteiro ajuda a reconhecer o golpe logo no começo:

  1. Escolhem a vítima: buscam processos em que há dinheiro a receber ou alguma decisão recente.
  2. Montam um "dossiê": juntam número do processo, nome completo, CPF, telefone, endereço, nome e foto do advogado, logotipo do escritório e o último andamento do processo.
  3. Fazem o contato: mandam mensagem por WhatsApp, normalmente de um número novo, com a foto e o nome do seu advogado ou do escritório. As desculpas mais comuns são "troquei de número", "este é o número do setor financeiro" ou "este é o WhatsApp do jurídico".
  4. Dão a "boa notícia": dizem que você ganhou, que saiu o alvará, que o dinheiro foi liberado ou que surgiu um acordo vantajoso.
  5. Mostram "provas": enviam print do processo, cópia de decisão, "alvará", "guia" ou "comprovante", às vezes com brasão do tribunal e QR Code.
  6. Criam o obstáculo: afirmam que, para receber, é preciso pagar algo antes — "custas finais", "imposto de renda", "taxa de liberação", "taxa do cartório", "honorários do perito", "atualização do alvará", "seguro do crédito".
  7. Colocam pressão: "o prazo vence hoje", "se não pagar agora, o dinheiro volta para o juiz", "o processo será arquivado", "você perde o direito".
  8. Isolam a vítima: pedem para você não ligar para o escritório ("o doutor está em audiência", "o telefone fixo está com defeito", "é um procedimento sigiloso") ou transferem você para um suposto "juiz", "servidor do tribunal", "gerente do banco" ou "central de conciliação".
  9. Recebem e pedem mais: depois do primeiro PIX, surgem novas "taxas", cada vez maiores, com a promessa de que aquela é a última.
  10. Desaparecem: quando a vítima desconfia ou não tem mais dinheiro, os criminosos bloqueiam o contato e apagam o perfil.

Exemplos de mensagens usadas pelos golpistas

Os textos abaixo são ilustrativos e reúnem expressões comuns nesse tipo de golpe. Se você receber algo parecido, desconfie:

  • "Olá, Sr. João, aqui é o Dr. Fulano, seu advogado. Estou com número novo. Tenho uma ótima notícia sobre o processo n.º 0000000-00.0000.8.26.0000: o juiz liberou o seu dinheiro."
  • "Para a transferência ser feita hoje, é necessário quitar as custas de R$ 1.850,00. Segue a chave PIX do setor responsável."
  • "O valor precisa ser pago até as 16h, senão o alvará vence e o dinheiro volta para o processo."
  • "Não precisa ligar no escritório, estou em audiência. Resolve por aqui mesmo que é mais rápido."
  • "Vou passar o seu contato para o servidor do tribunal, ele vai te orientar sobre o pagamento."
  • "Para confirmar sua identidade, me envie o código de seis dígitos que chegou por SMS."

5. De onde os golpistas tiram os dados do seu processo

Esta é a pergunta que mais assusta as vítimas: "Como eles sabiam de tudo?". A resposta envolve várias portas de entrada, que muitas vezes são usadas ao mesmo tempo.

5.1. Os processos são, em regra, públicos

A Constituição determina que os processos judiciais sejam públicos, salvo exceções, como os casos de família, os que envolvem menores e outros que correm em segredo de justiça. A regra existe para garantir transparência: qualquer pessoa pode fiscalizar o funcionamento da Justiça.

O efeito colateral é que muitas informações ficam acessíveis. Na época do processo de papel, era preciso ir ao fórum e pedir os autos no balcão — a própria burocracia funcionava como barreira. Com a digitalização, a maior parte dos processos não sigilosos passou a poder ser consultada pela internet, de qualquer lugar do mundo, por qualquer advogado com cadastro nos sistemas eletrônicos.

5.2. Consultas públicas e Diários de Justiça

Os sites dos tribunais permitem consultar processos pelo número ou pelo nome das partes, e mostram os andamentos — inclusive quando há sentença, acordo ou expedição de mandado de levantamento. Além disso, as intimações são publicadas nos Diários de Justiça eletrônicos, com nomes das partes, dos advogados e o resumo das decisões. Há ainda sites particulares que copiam e organizam essas publicações, facilitando buscas em massa.

Na prática, o criminoso consegue saber, por exemplo, que um processo acabou de ter "expedição de mandado de levantamento" — ou seja, que alguém está prestes a receber dinheiro — e aborda essa pessoa justamente naquele momento.

5.3. Credenciais de advogados

Para ver os documentos completos do processo (petições, procurações, comprovantes e documentos pessoais), normalmente é preciso entrar no sistema com o cadastro de um advogado. Os criminosos conseguem esse acesso de diferentes formas:

  • invadindo contas de advogados, por meio de senhas fracas, e-mails comprometidos ou programas maliciosos;
  • comprando ou "alugando" credenciais de terceiros;
  • em alguns casos, com a participação de pessoas que têm acesso legítimo aos sistemas — situação que o projeto de lei em tramitação no Congresso trata com pena mais grave.

Dentro do processo, eles encontram muito material: RG, CPF, endereço, telefone, comprovantes de residência, extratos, procuração com o nome e o número de OAB do advogado e até a assinatura dele.

5.4. Vazamentos de dados

O Brasil já sofreu diversos vazamentos de grandes bases de dados de empresas, órgãos e serviços. Informações como nome, CPF, telefone, endereço, data de nascimento e nome da mãe circulam e são vendidas em ambientes criminosos. Cruzando esses dados com os do processo, o golpista descobre o seu WhatsApp, o seu e-mail e até os seus parentes.

5.5. Redes sociais — as suas e as do advogado

Fotos, cidade, local de trabalho, parentes e rotina publicados nas redes sociais ajudam o criminoso a montar uma conversa convincente. Do lado do advogado, o perfil profissional no Instagram, no Google e no site do escritório fornece foto, logotipo, cores, assinatura e até o jeito de escrever.

5.6. Contas de WhatsApp e e-mails invadidos

Quando o criminoso consegue invadir o WhatsApp ou o e-mail de alguém (do cliente, de um familiar ou até de um funcionário de escritório), passa a ter acesso a conversas antigas, documentos trocados e a lista de contatos. A partir daí, pode se passar por essa pessoa com muito mais facilidade.

6. As falhas que o golpe explora

O golpe funciona porque junta várias fragilidades ao mesmo tempo:

  • Excesso de exposição de dados nos processos: documentos pessoais ficam anexados a processos públicos, sem filtro que esconda automaticamente informações sensíveis.
  • Acesso amplo aos sistemas: quem tem credencial de advogado, legítima ou roubada, consegue ver processos de pessoas que não são seus clientes.
  • Contas e senhas mal protegidas: e-mails, cadastros e aplicativos sem verificação em duas etapas são alvos fáceis.
  • Facilidade de criar números e perfis falsos: basta um chip novo, uma foto copiada e um nome.
  • Contas "laranja": os criminosos usam contas abertas em nome de terceiros (muitas vezes com documentos roubados ou de pessoas aliciadas) para receber o dinheiro.
  • Rapidez do PIX: o dinheiro sai em segundos e é espalhado por várias contas. Segundo estatísticas citadas por especialistas em direito digital, apenas cerca de 9% dos valores transferidos via PIX em golpes são recuperados.
  • Falta de informação: muita gente não sabe como funciona a liberação de valores na Justiça e acredita que realmente precisa pagar algo antes.
  • Comunicação informal: quando advogado e cliente se falam apenas por WhatsApp, sem canais alternativos combinados, fica mais difícil confirmar quem está do outro lado.
  • Emoção: a pessoa espera aquele dinheiro há anos. A "boa notícia", somada à pressa, desliga o sinal de alerta.

7. Fotos copiadas, perfis clonados e inteligência artificial

O golpe ficou muito mais sofisticado nos últimos anos. Hoje os criminosos usam:

7.1. Foto, nome e identidade visual do seu advogado

Eles copiam a foto do WhatsApp, do Instagram, do site ou do perfil do Google do advogado e criam um perfil idêntico, com o mesmo nome, o mesmo logotipo do escritório e até a mesma mensagem de recado. Alguns criam perfis falsos completos em redes sociais, com publicações copiadas do perfil verdadeiro, para parecerem legítimos. Também copiam o papel timbrado e a assinatura que aparecem nas petições do processo.

7.2. Documentos falsos com aparência oficial

Enviam "alvarás", "decisões", "ofícios", "guias de custas", "comprovantes de depósito" e "termos de acordo" com o brasão do tribunal, o número verdadeiro do processo, o nome real do juiz e até QR Code. Com programas de edição e inteligência artificial, esses documentos ficam muito parecidos com os verdadeiros — às vezes, impossíveis de distinguir a olho nu.

7.3. Clonagem de voz

Com poucos segundos de áudio do advogado — tirados de vídeos nas redes sociais, entrevistas, lives, palestras ou áudios antigos enviados a clientes —, ferramentas de inteligência artificial conseguem imitar a voz dele com tom, sotaque e jeito de falar. A vítima recebe um áudio que "parece" o advogado.

Por isso, nem um áudio com a voz do seu advogado é prova de que é ele. A própria OAB do Rio de Janeiro orienta a desconfiar de pedidos de dinheiro feitos a partir de números desconhecidos, mesmo quando a mensagem vem acompanhada da voz do suposto advogado.

7.4. Vídeos e chamadas de vídeo falsificados (deepfake)

Já há relatos de vídeos e chamadas de vídeo com rosto e voz manipulados por inteligência artificial, em que a pessoa do outro lado parece ser o advogado, um juiz ou um servidor. Normalmente, essas chamadas são curtas, com imagem de baixa qualidade e com alguma desculpa para a ligação "cair" logo.

7.5. Textos perfeitos e personalizados

Antigamente, erros de português denunciavam o golpe. Hoje, com inteligência artificial, as mensagens chegam bem escritas, com termos jurídicos corretos, tom profissional e informações personalizadas sobre você e o seu processo. Mensagem bem escrita não é sinal de mensagem verdadeira.

7.6. Sites e perfis falsos de escritórios e órgãos públicos

Alguns grupos criam sites falsos imitando escritórios de advocacia, tribunais ou "centrais de precatórios", com endereços parecidos com os verdadeiros. Também pagam anúncios para aparecer nas buscas da internet. Por isso, procure sempre o site oficial digitando o endereço você mesmo ou confirmando com o seu advogado.

8. Variações do golpe

O golpe aparece com várias "roupagens". As mais comuns:

  • Falso advogado: "Sou o seu advogado, troquei de número, seu dinheiro saiu, pague a taxa."
  • Falso funcionário do escritório: alguém que se apresenta como secretária, estagiário ou "setor financeiro" do escritório.
  • Falso servidor, falso juiz ou falso tribunal: alguém diz falar "do fórum", "do cartório", "da vara", "da contadoria" ou "do setor de precatórios" e pede pagamento ou dados.
  • Falsa central de conciliação ou de acordos: oferecem um acordo "vantajoso" para encerrar o processo, mediante pagamento de uma taxa.
  • Falso advogado da outra parte: propõe acordo e pede depósito para "formalizar" ou "registrar" o acordo.
  • Golpe da "audiência online": mandam link de uma suposta audiência por vídeo que, na verdade, instala programa malicioso no celular ou pede dados bancários.
  • Golpe do código: pedem o código de verificação que chegou por SMS, "para confirmar sua identidade". Com ele, clonam seu WhatsApp e passam a pedir dinheiro aos seus contatos.
  • Golpe da "atualização cadastral": pedem selfie, foto do documento e dados bancários "para cadastrar a conta de recebimento". Com isso, abrem contas e fazem empréstimos em seu nome.
  • Golpe contra quem é réu: ameaçam com "bloqueio de bens", "prisão", "penhora" ou "nome no protesto" se não for feito um pagamento imediato.
  • Golpe dos precatórios e RPVs: aproveitam os períodos em que o governo libera esses pagamentos para abordar quem está na fila, oferecendo "antecipação" mediante taxa.
  • Golpe da "compra do processo": oferecem comprar o seu crédito por um valor à vista, mas exigem uma taxa antes.

9. Sinais de alerta: desconfie imediatamente se…

  • o contato vem de número novo ou desconhecido, mesmo com a foto e o nome do seu advogado;
  • pedem qualquer pagamento antecipado para liberar dinheiro;
  • o PIX é para conta de pessoa física ou de empresa que não é o escritório;
  • o nome do recebedor que aparece no PIX não tem relação com o escritório ou com o tribunal;
  • existe pressa ("tem que ser hoje", "o prazo vence em uma hora");
  • pedem segredo ou dizem para não ligar para o escritório;
  • dizem que o juiz, o tribunal ou um servidor vai falar com você diretamente;
  • pedem senhas, códigos de SMS, selfies ou fotos de documentos;
  • enviam links para baixar documentos, aplicativos ou entrar em "audiência";
  • o valor prometido é muito alto ou o "acordo" é bom demais para ser verdade;
  • a pessoa evita ligação comum ou faz chamadas de vídeo rápidas e com imagem ruim;
  • a conversa foge do jeito habitual do seu advogado;
  • você não sabia que o processo estava nessa fase.

10. Verdades que desmontam o golpe

Guarde estas informações. Elas, sozinhas, já derrubam a maior parte das abordagens:

  1. Dinheiro de processo não é liberado mediante pagamento por WhatsApp. Valores ganhos na Justiça são liberados por ordem do juiz (por alvará, mandado de levantamento ou transferência judicial), diretamente para a conta indicada no processo.
  2. Custas e despesas judiciais são pagas por guias oficiais, emitidas pelo próprio tribunal, e não por PIX para a conta de uma pessoa.
  3. Imposto de renda, quando incide, é retido na fonte pelo banco ou declarado depois. Não existe "imposto" a pagar para o dinheiro ser liberado.
  4. Juiz, servidor do fórum ou tribunal não liga nem manda WhatsApp pedindo pagamento a ninguém.
  5. Acordos verdadeiros são feitos por meio do advogado e, em regra, levados ao processo para homologação.
  6. Seu advogado já tem um canal de contato com você. Se ele mudar de número, você pode — e deve — confirmar pelo número antigo, pelo telefone fixo, pelo e-mail ou pessoalmente.
  7. Ninguém precisa do seu código de SMS para liberar dinheiro de processo.

11. Entenda alguns termos que os golpistas usam

Os criminosos usam palavras técnicas para impressionar. Conhecer o significado ajuda a não se deixar intimidar:

  • Alvará / mandado de levantamento: ordem do juiz que autoriza o banco a liberar um valor depositado no processo. Não depende de "taxa" paga por PIX.
  • Custas: despesas do processo cobradas pelo tribunal, pagas por guia oficial, normalmente no início ou em atos específicos do processo.
  • Precatório e RPV: formas de pagamento de dívidas do poder público reconhecidas pela Justiça. Seguem uma ordem e são pagas pelo tribunal; ninguém consegue "furar a fila" mediante taxa.
  • Homologação de acordo: aprovação do acordo pelo juiz. Não exige pagamento por WhatsApp.
  • Trânsito em julgado: quando não cabe mais recurso da decisão. Mesmo depois dele, a liberação de valores segue os trâmites do processo.

12. Como saber se o seu processo realmente teve novidade

Se recebeu uma mensagem dizendo que "saiu o dinheiro", você pode conferir sem depender de quem fez o contato:

  1. Pergunte ao seu advogado, pelo canal de sempre.
  2. Consulte o processo no site oficial do tribunal, digitando você mesmo o endereço no navegador (no caso da Justiça Estadual de São Paulo, o site do TJSP). Não use links recebidos por mensagem.
  3. Use o portal de acompanhamento do seu escritório, se ele tiver um. Muitos escritórios oferecem área do cliente com os andamentos do processo.

Se o processo não mostra a novidade, ou se o seu advogado não confirma, é golpe.

13. Como se proteger: guia prático

13.1. Confirme sempre pelo canal de sempre

Recebeu mensagem do "seu advogado" com pedido de dinheiro, dados ou urgência? Não responda pelo número novo. Ligue ou mande mensagem para o número que você já tinha salvo, para o telefone do escritório ou para o e-mail oficial. Se não conseguir falar na hora, espere. Golpe vive de pressa; a verdade aguenta esperar algumas horas.

13.2. Use o ConfirmADV, da OAB

A OAB criou a plataforma ConfirmADV. Você informa o número de inscrição na OAB, o estado e o e-mail do advogado; a plataforma envia um alerta ao e-mail cadastrado na Ordem, e o advogado tem até cinco minutos para confirmar. Se a confirmação não vier, desconfie.

Também é possível consultar se uma pessoa é advogada no Cadastro Nacional dos Advogados (CNA), no site da OAB. Mas atenção: o golpista usa o nome de advogados reais, então essa consulta mostra que o advogado existe — e não que é ele quem está falando com você. Por isso, a confirmação pelo canal de sempre continua indispensável.

13.3. Combine uma "palavra de segurança"

Uma dica simples e muito eficaz: combine com o seu advogado, ou com o escritório, uma palavra ou uma pergunta que só vocês saibam. Se alguém pedir algo em nome dele, peça a palavra.

13.4. Nunca pague para receber

Se pedirem pagamento antecipado para liberar valores, trate como golpe até que o seu advogado confirme o contrário pelo canal de sempre.

13.5. Confira o nome de quem vai receber o PIX

Antes de confirmar qualquer PIX, o aplicativo do banco mostra o nome do recebedor. Se o nome for de uma pessoa ou empresa desconhecida, pare.

13.6. Não envie dados, fotos, selfies ou códigos

Não envie documentos, selfie, dados bancários, senhas ou o código de verificação que chega por SMS. Com o código, o criminoso pode clonar o seu WhatsApp e aplicar o golpe nos seus contatos.

13.7. Não clique em links

Não abra links nem baixe arquivos enviados por números desconhecidos, ainda que pareçam vir do tribunal. Para consultar o seu processo, acesse você mesmo o site oficial do tribunal ou peça ao seu advogado.

13.8. Proteja o seu WhatsApp e as suas contas

  • Ative a confirmação em duas etapas no WhatsApp (Configurações > Conta > Confirmação em duas etapas).
  • Use senhas diferentes para cada serviço e ative a verificação em duas etapas também no e-mail e no aplicativo do banco.
  • Restrinja quem pode ver sua foto, seu "recado" e seu "visto por último" no WhatsApp.
  • Configure o aplicativo do banco com limite baixo para PIX noturno e para novos recebedores.
  • Mantenha o celular atualizado e não instale aplicativos fora das lojas oficiais.

13.9. Cuidado com o que publica

Evite expor nas redes sociais detalhes de processos, valores a receber, decisões judiciais e documentos pessoais. Quanto menos informação pública, mais difícil montar o golpe.

13.10. Desconfie de áudios, vídeos e "provas"

Áudio com voz parecida, vídeo, documento com brasão, comprovante e "print do processo" podem ser falsificados. O que vale é a confirmação pelo canal que você já conhecia.

13.11. Converse com a família

Idosos e pessoas menos familiarizadas com a internet são alvos frequentes. Converse com pais, avós e parentes que tenham processos na Justiça, explique o golpe e combine que, antes de qualquer pagamento, eles vão falar com alguém de confiança.

14. Checklist: antes de pagar qualquer coisa, responda

  • Confirmei com o meu advogado pelo número ou e-mail que eu já usava?
  • O pagamento é por guia oficial do tribunal, e não por PIX para uma pessoa?
  • O nome de quem vai receber o dinheiro é do escritório ou do órgão oficial?
  • Eu mesmo consultei o processo no site oficial e vi a novidade?
  • Estão me pressionando com prazo curto ou pedindo segredo?

Se qualquer resposta deixar dúvida, não pague.

15. Caí no golpe (ou quase caí). E agora?

Aja rápido. As primeiras horas fazem diferença.

  1. Pare de conversar e não faça mais nenhum pagamento, mesmo que prometam devolver o que já foi pago.
  2. Avise o seu banco imediatamente, pelo canal oficial (aplicativo, telefone que está no verso do cartão ou agência). Informe que foi vítima de golpe via PIX e peça a abertura do MED – Mecanismo Especial de Devolução. Quanto antes o banco for avisado, maiores as chances de bloquear o dinheiro na conta de destino.
  3. Guarde todas as provas: prints das conversas (com o número do golpista visível), áudios, vídeos, documentos recebidos, comprovantes de PIX e dados da conta que recebeu o dinheiro. Não apague a conversa.
  4. Registre boletim de ocorrência. Em São Paulo, é possível fazê-lo pela internet, na Delegacia Eletrônica da Polícia Civil.
  5. Avise o seu advogado pelo canal de sempre. Ele poderá orientar sobre as medidas cabíveis e, se for o caso, comunicar o fato no processo.
  6. Denuncie à OAB pelo canal oficial de denúncias. Algumas seccionais também têm canais próprios.
  7. Denuncie o número no WhatsApp: abra a conversa, toque no nome do contato e em "Denunciar".
  8. Se enviou documentos ou dados, fique atento a contas, cartões e empréstimos feitos em seu nome. Consulte o Registrato, do Banco Central, para verificar contas e empréstimos vinculados ao seu CPF.
  9. Se o seu WhatsApp foi clonado, avise seus contatos por outro meio (ligação, outra rede social) para que ninguém pague nada em seu nome.

Dá para recuperar o dinheiro?

Depende do caso. O MED pode bloquear valores que ainda estejam na conta de destino. Além disso, conforme as circunstâncias, pode ser possível discutir judicialmente a responsabilidade de quem recebeu o dinheiro e, em algumas situações, de instituições envolvidas. Cada caso precisa ser analisado individualmente por um advogado de sua confiança.

Não sinta vergonha

O golpe é praticado por grupos organizados, que usam técnicas profissionais e tecnologia avançada. Pessoas instruídas, empresários e até profissionais do Direito já foram vítimas. Registrar a ocorrência ajuda a polícia a identificar as quadrilhas e a proteger outras pessoas.

16. O que está sendo feito para combater o golpe

  • OAB: mantém campanha nacional permanente desde abril de 2025, a plataforma ConfirmADV, canais de denúncia e forças-tarefa nas seccionais, em cooperação com as polícias.
  • Tribunais e CNJ: têm reforçado a segurança de acesso aos sistemas eletrônicos, com autenticação em duas etapas e registro de quem acessa cada processo, sem abrir mão da publicidade dos processos garantida pela Constituição.
  • Congresso Nacional: a Câmara dos Deputados aprovou, em março de 2026, o Projeto de Lei n.º 4.709/2025, que cria no Código Penal um crime específico para quem se passa por advogado usando dados de processos, com pena de reclusão de 4 a 8 anos e multa, aumentada em situações como o uso de credencial de advogado. O projeto também prevê medidas de segurança e de auditoria nos sistemas judiciais eletrônicos e um cadastro nacional de condenados por estelionato eletrônico. O texto seguiu para análise do Senado Federal.

17. Perguntas frequentes

Meu advogado pode me pedir dinheiro por WhatsApp?

Advogados podem tratar de honorários e despesas com os clientes, inclusive por WhatsApp, conforme o que foi combinado em contrato. O que não existe é cobrança de "taxa" para liberar dinheiro ganho no processo. Na dúvida, confirme pelo canal de sempre antes de pagar qualquer valor.

O golpista sabia o número do meu processo. Isso quer dizer que meu advogado vazou meus dados?

Não necessariamente. Como explicado acima, os dados podem ser obtidos em consultas públicas, Diários de Justiça, acesso indevido aos sistemas e vazamentos de dados. Na grande maioria dos casos, o advogado também é vítima: tem seu nome e sua foto usados pelos criminosos.

Recebi um áudio com a voz do meu advogado. Posso confiar?

Não. A voz pode ser imitada por inteligência artificial. Confirme ligando para o número que você já conhecia.

O documento que recebi tem brasão e número do processo. É verdadeiro?

Não dá para saber só olhando. Documentos falsos são feitos com informações reais do processo. Confira com o seu advogado ou no site oficial do tribunal.

Eu não tenho processo. Posso ser vítima?

Sim, em variações do golpe que envolvem supostas dívidas, protestos ou ações contra você. A orientação é a mesma: não pague, não envie dados e confirme pelos canais oficiais.

Já paguei. Devo continuar conversando para tentar recuperar o dinheiro?

Não. Interrompa o contato e siga os passos do item 15. Promessas de devolução costumam ser usadas para pedir novos pagamentos.

18. Como falar com este escritório com segurança

Se você é cliente do escritório Sérgio Douglas Canella Advocacia e recebeu qualquer mensagem pedindo pagamento, dados ou urgência em nosso nome, não pague e não responda. Confirme antes pelos nossos canais oficiais:

  • WhatsApp e telefone: (16) 99314-4380
  • E-mail: contato@sergiocanella.adv.br
  • Endereço: R. Luís Obserst Escudeiro, 76 – Jardim Sumaré, Sertãozinho/SP
  • Site: sergiocanella.adv.br
  • Instagram: @adv.sergiocanella

Os clientes do escritório também podem acompanhar o andamento dos seus processos pelo Painel do Cliente, no nosso site.

Na dúvida, desconfie, confirme e só depois decida. Essa atitude simples protege o seu dinheiro e os seus dados.

Fontes consultadas: OAB Nacional (campanha e plataforma ConfirmADV), OAB-SP e TRF3 (campanha de alerta, agosto de 2026), OAB Paraná, OAB Rio de Janeiro, OAB Rio Grande do Sul, Conselho Nacional de Justiça (nota técnica sobre o PL n.º 4.709/2025), Câmara dos Deputados e Senado Federal.

Conteúdo de caráter exclusivamente informativo, nos termos do Provimento n.º 205/2021 do CFOAB. Não substitui a análise do caso concreto.

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