Golpistas copiam anúncios reais de veículos e se colocam entre o vendedor e o comprador, desviando o pagamento para contas de terceiros. Saiba como o golpe funciona, como evitá-lo e o que fazer se você for vítima.
Um golpe frequente na compra e venda de veículos usados anunciados na internet e em redes sociais é o do falso intermediário. Nele, as duas pontas do negócio — quem vende e quem compra — acabam prejudicadas.
Como o golpe funciona
- O golpista copia o anúncio de um veículo real e o republica por um preço atrativo, geralmente abaixo do mercado.
- Ao mesmo tempo, procura o verdadeiro dono do veículo fingindo ser um comprador interessado.
- Ele orienta cada uma das partes a não conversar sobre valores durante a visita — com desculpas como "é um acerto de família" ou "é para pagar menos imposto".
- O comprador vê o veículo com o dono verdadeiro, que confirma o negócio sem saber do golpe.
- O pagamento é feito, geralmente por PIX, para uma conta indicada pelo golpista, em nome de terceiro.
- O vendedor não recebe nada, o comprador fica sem o dinheiro, e surge uma disputa sobre o veículo.
Sinais de alerta
- preço muito abaixo da tabela ou do mercado;
- pressa para fechar o negócio;
- pedido para não comentar o valor com o vendedor ou com outras pessoas;
- conta para pagamento em nome de pessoa diferente do proprietário que consta no documento;
- intermediário que evita ligação de vídeo ou encontro pessoal.
Como se proteger
- Converse diretamente com o proprietário que consta no documento do veículo e confirme, na presença dele, o valor e a forma de pagamento.
- Pague somente em conta de titularidade do proprietário, nunca de terceiros.
- Faça a vistoria e, se possível, a transferência no mesmo ato.
- Vendedor: não entregue o veículo nem assine a autorização de transferência sem confirmar o crédito na sua própria conta.
- Desconfie de qualquer "acerto" que precise ser mantido em segredo.
Fui vítima. E agora?
- Avise o seu banco imediatamente e peça a contestação da transação. No PIX, o Banco Central mantém o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que permite o bloqueio de valores na conta de destino quando há suspeita de fraude — a rapidez faz diferença.
- Registre boletim de ocorrência, com o máximo de detalhes.
- Guarde todas as provas: prints do anúncio e das conversas, números de telefone, perfis, comprovantes de pagamento e dados da conta de destino.
- Denuncie o anúncio à plataforma em que foi publicado.
- Procure orientação jurídica. Conforme o caso, é possível pedir em juízo medidas para identificar os titulares das contas e linhas telefônicas utilizadas, bloquear valores e impedir a transferência do veículo enquanto a situação é esclarecida.
Segundo a Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça, as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fraudes praticadas por terceiros no âmbito de operações bancárias. A aplicação desse entendimento, porém, depende das circunstâncias de cada caso.
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo, nos termos do Provimento n.º 205/2021 do Conselho Federal da OAB, e não substitui a análise individualizada de cada situação por um advogado.
Conteúdo de caráter exclusivamente informativo, nos termos do Provimento n.º 205/2021 do CFOAB. Não substitui a análise do caso concreto.

